Saga Crepúsculo para Iniciantes

- O que você está assistindo, Sun?

- Lua Nova.

- Por quê?

- Ócio destrutivo? Vi o primeiro e ainda estou tentando saber a razão de tanto sucesso.

- Qual o enredo?

- Menino e menina se encontram, mas tem um amor impossível porque ele é vampiro, tem 200 anos e é idiota o suficiente pra nunca ter acabado o High School. 

- E por que ele não morde logo ela?

- Bom, eu estava culpando a Buffy por ter começado essa viadagem, cheeleader, adolescentes, monstros com sentimentos humanos, vampiro chamado “Angel”, essa merda toda de “morder ou não morder, eis a questão”, mas lembrei que a Anne Rice era pior ainda, porque além desse quesito, tinha essa quedinha do Tom Cruise pelo Brad Pitt. Enfim, acredito que não há nada mais irritante do que o vampiro sangue bom, que saudades do Drácula!

- E esse moreno correndo sem camisa o tempo todo?

- Ele é o lobisomen. Quando ele era um menino bom, a Bella não tava nem tchum pra ele, agora que ele cortou o cabelo, fez uma tatuagem, rasgou a camisa e tá com essa putaria de ficar todo “Sobre Meninos e Lobos”, correndo pra cima e pra baixo com um monte de cara sarado, ela fica nessa de mulheres que correm com lobos e nem caga nem sai da moita.

- Porque ela não fica logo com ele, o outro é muito magrelo.

- E ao invés dele morrer na luz do sol, ele brilha e voa, tipo, uma fada. Particularmente, também prefiro o outro, até o Bento Carreiro é mais atraente que esse vampiresco.

- É ela deva casar com o outro e ter um monte de cachorrinhos.

- Mãe, o destino da Bella é ser sexualmente frustrada. O filme enrola, enrola e ninguém come ela.

- Por quê?

- Sei lá. Acho que como vampiros estão mortos não têm pressão sanguínea e não podem ter ereção, quanto com o lobo... bem... e se ela ficar grudada?

- Credo minha filha que horror!

Adivinhe o Filme

Eu poderia colocar frases para vocês identificarem, mas o Google taí para isso. Então, que tal imagens? Ou melhor ainda, desenhos infantis de cenas célebres de filmes?





















#starwarsbandsongs

Essa semana, mais uma vez, fui acometida pelo sentimento que toda vez que me bate, me surpreende estupendamente. Este sentimento é: "puta merda, eu sou nerd!". Vamos aos fatos e averiguemos a veracidade. Eu estava de prosa no (#1) twitter, quando alguém me aparece com uma tag - (#2) e, sim, eu sei o que é tag, sobre bandas e (#3) Star Wars.

Que música combina com cinema todo mundo sabe, como amo os dois, não pude resistir. A brincadeira consistia em adaptar bandas ou músicas para os personagens e características apresentada na saga de Star Wars. Só que eu não sei brincar e não soube fazer um ou o outro, mas os dois juntos. Aqui vai a lista do que eu consegui:

1. Sweet Home Tatooine, The Ballad of Princess Leia, Gimme Back my LightSaber, Home is where the Force is, Simple Jedi - by Lukynard Skywalkynard

2. I Don't Want to miss a Sith, Bink, March This Way, Darth's Gotta a New Disguise, Jaba's Gotta Gun* (não fui eu que criei esse, mas merce a menção honrosa)- by Aerosith

3. You Can Always Get What You Want, Paint It Dark, Under My Force, Wild Siths - By The Rolling Vaders

4. Accoss The Universe, All you Need is Force, Here comes the DeathStar , Hey Luke - By The Beowkles

5. Hans Solo Back Girl, If I was a Sith Girl, Trapped in a Death Star, Excuse me Emperor - by Princess Leia Steffani

Continuem, continuem com idéias, por favor.

Vicky Cristina Barcelona

Ficha Técnica
Título Original: Vicky Cristina Barcelona
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 96 minutos
Estúdio: Mediapro / Gravier Productions / Antena 3 Films
Distribuição: The Weinstein Company / MGM / Imagem Filmes
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum e Gareth Wiley
Fotografia: Javier Aguirresarobe
Desenho de Produção: Alain Bainée
Direção de Arte: Iñigo Navarro
Figurino: Sonia Grande
Edição: Alisa Lepselter
Efeitos Especiais: Big Film Design


Elenco
Javier Bardem (Juan Antonio)
Scarlett Johansson (Cristina)
Rebecca Hall (Vicky)
Penélope Cruz (Maria Elena)


********


Eu NEM sequer me animei quando soube que o velho safado do Woody Allen ia fazer uma comédia, com sua musa Scarlett Johansson e que não seria em New York.

OK, é bem verdade que desde que vi a biografia da Mia Farrow, quando eu penso no Woody, vem logo a imagem dele comendo a filha adotiva, quando ela ainda era de menor e a filhinha dele com a Mia, que tinha uns sete anos na época assistindo tudo e ficando traumatizada. Desculpa, mas essa sou eu, eu não consigo desvincular.

Aí, saiu o tal "Vicky Cristina Barcelona" e eu esperei sair do cinema para baixar da internet e ver no meu note book, em cima da minha barriga. Sinal que o diretor/roteirista ex-ator está no limbo do meu prestígio cinematográfico, mas no topo do meu nojo sexual.

Concordo com todo mundo sobre o Woody Allen nos seguintes quesitos:

Famoso – mas é claro,
Cineasta – com certeza,
Obssessivo – e orgulhoso disso,
Tarado – é o que ele parece fazer de melhor,
Manhattan – é sim a sua casa, e acho digno ele querer sair de lá...

Mas pera aí, Comediante?! Não mesmo hein?! E já faz um tempo. Convenhamos agora, eu e você, fazem praticamente eras que o cineasta não faz comédias dignas como "Tudo o Que Você Queria Saber Sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar", "O Ladrão Trapalhão", e "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", não concorda?

E ele não era só um comediante, era um bom comediante, um comediante de mão cheia (mesmo que fosse cheia da filha adotiva). Pois afinal, foi assim que ele ganhou fama, dinheiro, Oscar e prestígio. Com as COMÉDIAS (e pegações). Se hoje ele prefere fazer filmes bem ruinzinho sobre relacionamentos (tipo com Jason Biggs - American Pie - e Cristina Ricci - Vandinha Adams), suspenses nonsense com o Collin Farrell e Ewan McGregor e comédias que só faz fã rir, tudo bem. Cada um faz o que quer, não é galera? E falo isso convictamente. Principalmente se falo de um cara que casou com a própria filha adotiva, depois de pegar ela ainda casado, e a sua filha caçula ver tudo. É Seu Woody, quando assunto é fazer o que bem se entende, o senhor comanda!

Veja bem, não estou em momento algum falando que Vicky Cristina Barcelona não presta. Muito pelo contrário, é um filme excelente comparado ao seu anterior, o bizarro "O Sonho de Cassandra". Mas, "Vicky Cristina Barcelona" tem aquelas mesmas obssessões e taras pessoais de Woody Allen que já deram o que tinham que dar (entenda o trocadilho).

Ah, não tem? Então porque será ele escalou duas das mulheres mais lindas atrizes do cinema atual: Penelope Cruz e a sua mais recente musa Scarlett Johansson, para viverem um triângulo amoroso com Javier Bardem que interpreta um artista Don Juanesco e Tarado (alô? Eu sou o Freud e gostaria de falar com o alter ego de Allen, por favor).

E por falar nessas duas, fica claro como Penelope Cruz tem experiência como boa atriz - de sua época de Espanha Almodovariana e isso fica mais evidente ainda quando contracena com a Johanson, cuja carreira, até hoje, se baseia em atuar o papel dela mesma, interpretando o seu status quo hollywoodianno de gostosona e vazia, mostrando sua mesmice interpretativa. Mesmo em "Garota do Brinco de Pérola", talvez, seu melhor filme, pois ela não faz nada além de posar. Já Penélope, ao pisar em cena, encarna o maior pesadelo de qualquer namorada, a ex prefeita com quem você não tem como competir, entao, o jeito é se apaixonar por ela. Acho que é essa a a palavra, Penélope Cruz encarna a apaixonante Maria Helena e nos deixa realmente pensando o que o cinema americano está fazendo com ela.

Em suma, Vicky Cristina Barcelona é uma boa comédia. É um filme muito bom que se destaca de sua leva de último filmes, desde de que Woody começou a negar as comédias de verdade e passou querer ser respeitado pelo mundo como um cara maduro.

E você pode até dizer que ele amadureceu, coisa e tal. Mas, na minha mais humilde opiniãouma comédia inteligente e bem construída é muito mais difícil de fazer do que filmes que só berguiano gosta. Logo, acho que ele era mais maduro antes, quando tarado.

Ou pode ser o caso dele estar fazendo como o personagem do pai de Javier Barden no filme: Woody está se vingando da humanidade escrevendo as mais brilhantes comédias sem tradução e renegando elas.

Eu é que não duvido.

Pois afinal, Seu Woody, eu te conheço, você é um tremendo de um bom velho safado.

Top 10: Melhores Paródias Porno

Então, acabei de ver "Zach and Miri Make a Porno" o último filme do Kevin Smith, e me veio a mente a idéia de fazer uma lista dos dez melhores títulos de Pornoparódias. Não vi nenhuma delas (não, não estou querendo me limpar com a família, é a pura verdade) e só acredito na veracidade dos títulos porque uma vez eu vi "Edward Penises Hands" numa locadora da Alemanha, e também sei, como todo mundo também sabe, não há limites para a imaginação humana quando o assunto é putaria.


  
High - Tech Porno, para agradar os nerds

Adivinha qual foi a missão que esse T-800 deve ter sido enviado para fazer?




"Does Marcellius Wallace look like a bitch? So why are you trying to fuck him?"


Ok, sempre achei esse filme um c* mesmo. 






When Bollywood meets hollywood


 
Imagina o "leitinho" e a ultra-violence dessas garotas. 








Essa sequencia mostra que o a indústria pornográfica ama Tim Burton e estamos no aguardo de Big Dick.

  

Faça amor, não faça guerra.

Top 10: Melhores Cenas de Dança

Dando sucessão ao Top 10 (o primeiro foi das melhores anti-heroínas do cinema), vamos com o das melhores cenas de dança.

Internet, BAILEMOS!!!!


1. Kevin Bacon foi parar na cidade onde a música era proibida em Footloose:



2. Ashley Judd e Salma Hayek mostrando como se dança um tango:



3. Salma Hayek agora mostrando como se dança de tanga:



4. Mia Wallace queria o troféu e Uma Thurman o Oscar por essa cena:



5. Al Pacino fazendo todo mundo suspirar:



6. Napoleão Dynamite elegendo o colega dele Pedro no como presidente do grêmio do colégio:



7. MacDreamy antes dele ser o mais gostosão do colégio:



8. "Como você pode escolher entre Brian Ferry e David Bowie? Eles são deuses." Cena do filme Flashbacks of a Fool que não sai da minha mente.


9. Billy Elliot explicando para o seu pai porque ele precisava dançar:




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Ele Simplesmente Não está Afim de você





Estava aqui a procurar que filme ver no cinema durante esse feriado, quando me deparei com "Ele Simplesmente Não está Afim de você".

Adivinha quem simplesmente não vai assistir a esse filme?

Dica: EU

Se eu fosse você não veria também. É tão óbvio que esse filme é merda pura que eu tive que levantar os pés e checar a sola dos sapatos enquanto eu lia a sinopse para saber de onde o cheiro vinha. 

Vams lá, para o meu DIGNO spoiler, o filme é:

- Baseado em um livro de auto-ajuda;

- Uma comédia romântica;

- Dou a minha cara como ele tem um final feliz apesar do título;

-  Tem a Jennifer Anniston no elenco.

Alguém por favor segure meu cabelo que eu vou vomitar meu ovo de páscoa.

Operação Valquíria

Operação Valquíria
(Valkyrie, 2008)
Gênero: Thriller
Duração: 120 min
Origem: EUA - Alemanha
Estréia - EUA: 26 de Dezembro de 2008
Estréia - Brasil: 13 de Fevereiro de 2009
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Christopher McQuarrie
Produção: Tom Cruise, Chris Lee, Christopher McQuarrie, Bryan Singer


Ontem, assisti ao Operação Valquíria. Já que o esquisitão-mas-super-sangue-bom do Tom Cruise veio até aqui com a sua família divulgar o trabalho e tudo mais, achei que eu e a minha família poderíamos dar um pulinho até o cinema para vê-lo.

O filme é bonzinho. Para os leigos. Quando digo leigo, quero realmente dizer: pessoas que não cresceram no meu ambiente familiar. Já que a minha mãe é um pouquinho super obcecada sobre assuntos como “Segunda Guerra Mundial” e “Holocausto”. Sério, enquanto as outras crianças recebiam avisos como “se você não se comportar, você não vai ganhar presente de Natal!” aqui em casa era “Olha, olha... Auschwitz, hein, mocinha? Estude ou você vai passar frio, fome e fazer canecas numa fábrica que não é a do Schindler!”

Então, quando o filme começou e os personagens foram apresentados, fiquei lá sem o fator surpresa, só esperando a hora de ver quem ou o quê iria cagar tudo. Porque se o Hitler só morreu no final da guerra (tirando a sua própria vida e a de sua amante), é claro que o Tom Cruise estava interpretando um outro filme do estilo Missão Impossível, mas dessa vez era impossível mesmo. Já que a Valquíria foi só a décima quinta e última tentativa de assassinato sem sucesso de Hitler. Vaso ruim da porra.

Tom Cruise interpreta o coronel alemão Claus von Stauffenberg (caolho e sem mão, quase um pirata). E ele não está lá pra jogar conversa fora. Logo no comecinho do filme, ele escreve em seu diário sobre os planos de liquidar com o Führer e – pasmem!!! – falando em um alemão perfeito. Isso mesmo, cadê a dislexia do moço? Terá a Cientologia curado-o? E o que John Travolta acha disso?

O Coronel e mais um grupo de alemães estão preocupados com o que o resto do mundo irá pensar da Alemanha e do seu legado para a humanidade. O que é, de certa forma, o diferencial do filme em relação aos outros que abordam o mesmo tema. Não é a tentativa dos aliados de chegar e salvar o planeta das mãos dos terríveis alemães, é mostrar que tinha gente sã no meio daquela esquizofrenia racista e coletiva. Ponto. Tom Cruise andar por aí carregando um olho, me lembrando uma referência meio "O Cheiro do Ralo", outro ponto.

Mas, para mim, o filme falhou na hora de contar a história, na maneira de fazê-lo. Passei maior parte do filme, pensando como o cara ia ao banheiro caso ele tivesse muito apertado, já que ele tinha recém perdido uma mão inteira e dois dedos da outra, do que onde a história iria parar. Talvez, eu simplesmente seja gato escaldado por demais a conta no tema. Ou não. Basta pensarmos na versão de Romeu e Julieta de 1996. Todo mundo, TODO MUNDO sabe a história, mas o diretor Baz Luhrmann conta de maneira diferente.

Que a Operação Valquíria não ia dar certo era do conhecimento geral da galera, logo, já que não poderiam mudar o enredo, deveriam ter incrementado a história. Eu, particularmente, faria como se fossem várias vozes em primeira pessoa, de cada uma das pessoas que participaram e, por isso, perderam a vida. Ia falar que eles seriam zumbis, mas isso simplesmente não seria historicamente verídico (mesmo que tudo com zumbis seja muito legal), então eu faria um relato do grupo que participou da operação em uma cervejaria no Limbo. "E aí, Marlene Dietrich, o que você acha de tudo isso?"

Ainda acho mais, se tivesse trocado uma idéia com Bryan Singer, ele tinha topado. Porque, afinal, um cara que topa dirigir filmes como X-Man e Superman, O Retorno, não parece dizer não pra muita idéia de merda.

Piadas a parte, pois é um assunto que não comporta brincadeiras, válido o filme ter estreado na época em que uma brasileira foi espancada e perdeu os gêmeos por causa de neo-nazistas. É bom que fique sempre lembrado o horror que um grupo de pessoas pode promover, e que sempre existe um grupo de gente sã disposto a pará-lo.

007 - Quantum of Solace

Assisti ao último filme do James Bond, o Quantum of Solace. Calma, Internet, ainda sou a sua boa e velha garota, adoro filme de zumbis, odeio musicais... Mas matei aula e o cinema estava de três reais, então 007, aí vamos nós.

O que tem no novo filme?

Explosões – muitas.
Cenas de perseguição – uma porrada.
Carros e tecnologia – siiiiiiiiiiiim.
Martini, armas, garotas bonitas - Checado, checado, checado.
Um tema recorrente, como, digamos assim... o problema da falta de água - Oh, Yes.

Então, foi um Bond-filme? Nah... Não acredito no Daniel Craig como James Bond. Ele não é bonito, não fuma, deixou de dizer a frasezinha clichê-mas-importante “my name is Bond, James Bond” (talvez porque ele não faça jus?) e deixou de comer uma garota. Logo, vou dizer que quanto aos James Bond, faço as palavras do Sickboy do Trainspotting minhas:


Nenhum chega aos pés do carisma do Sean Connery. Nenhum. Bang Bang.


Nem mocinhas, tampouco fracas, pior ainda indefesas

Porque eu gosto mesmo é das falhas, dos defeitos, dos vacilos, da plena falta da perfeição, dos desvios de caráter.

Porque eu gosto mesmo é de gente que busca satisfazer seu próprio interesse, que sofrem desapontamentos em suas vidas, mas persistem até alcançar o ato heróico.

Porque eu gosto de filmes cujas protagonistas têm atitudes referentes às mulheres normais, aquelas que não possuem vocação heróica, ou casta ,e que realizam as façanhas por motivos egoístas, de vaidade ou de quaisquer gêneros que não sejam altruístas.

Porque eu sou brasileira e o herói da minha gente é Macunaíma - que não tem caráter algum, fiz a lista das minhas dez favoritas anti-heroínas.


1. Scarlett O'hara, E o Vento Levou - "Why does a girl have to be so silly to catch a husband?"



2. Beatrix Kiddo, Kill Bill Vol. I e Vol.II - "I'm the deadliest woman in the world. But right now, I'm just scared shitless for my baby. "



3. Daine, Trainspotting - "Do you find that this approach usually works? Or let me guess, you've never tried it before. In fact, you don't normally approach girls - am I right? The truth is that you're a quiet sensitive type but, if I'm prepared to take a chance, I might just get to know the inner you: witty, adventurous, passionate, loving, loyal. Taxi! A little bit crazy, a little bit bad. But hey - don't us girls just love that?"



4. Alice, Closer - "Oh, as if you had no choice? There's a moment, there's always a moment, "I can do this, I can give into this, or I can resist it", and I don't know when your moment was, but I bet there was one."



5. Lisa, Garota, Interropida:
Lisa: We are very rare and we are mostly men.
Janet: Lisa thinks she's hot shit cause she's a sociopath.
Cynthia: I'm a sociopath.
Lisa: No, you're a dyke.



6. Margot Tenenbaum, Os Excêntricos Tenenbaum - "I'm adopted, did you know that? I ran away to find my real family when I was fourteen. They live in Indiana. "



7. Celine, Antes do Pôr-do-sol - "The concept is absurd. The idea that we can only be complete with another person is evil! Right?"



8. Clementine, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - "Too many guys think I'm a concept, or I complete them, or I'm gonna make them alive. But I'm just a fucked-up girl who's lookin' for my own peace of mind; don't assign me yours."



9. Marla Singer, Fight Club - "Marla Singer: she's like the scratch on the roof of your mouth that would heal if you would just stop tonguing it, but you can't."



10. Menção honrosa, por vida e obra, Betty Daves - "Gay Liberation? I ain't against it, it's just that there's nothing in it for me. "


Juno

Título Original: Juno
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 96 minutos Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Hungria): 2007
Site Oficial: www.foxsearchlight.com/juno
Estúdio: Fox Searchlight Pictures / Mandate Pictures / Mr. Mudd
Distribuição: Fox Searchlight Pictures
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Produção: Lianne Halfon, John Malkovich, Mason Novick e Russell Smith
Música: Matt Messina

Fotografia: Eric Steelberg
Desenho de Produção: Steve Saklad
Direção de Arte: Michael Diner e Catherine Schroer
Figurino: Monique Prudhomme
Edição: Dana E. Glauberman

Elenco Ellen Page (Juno MacGuff) Michael Cera (Paulie Bleeker) Jennifer Garner (Vanessa Loring) Jason Bateman (Mark Loring) Allison Janney (Bren MacGuff) J.K. Simmons (Mac MacGuff) Olivia Thirlby (Leah) Eileen Pedde (Gerta Rauss) Rainn Wilson (Rollo) Daniel Clark (Steve Rendazo) Darla Vandenbossche (Mãe de Bleeker) Aman Johal (Vijay) Valerie Tian (Su-Chin)


*****


Internet, vamos ser sinceras, estamos diante de uma era de valorização a supremacia nerd. Isso mesmo, supremacia. Você ouviu, nerd.

Não sei se é culpa do Gates, do Jobbs, do Woody ou dos filmes que começaram nos anos 80, ou, tudo bem, tudo bem MINHA... mas, hoje em dia, as pessoas não se reúnem sentadas diante de uma tela enorme para ouvir e vê-la relatando sobre o rei e a rainha do Baile. A fórmula linda menina feia, que basta desamarrar o cabelo, tirar o macacão, se livrar dos MUITOS pêlos indesejáveis e colocar lentes de contato também não funciona mais.

Mas, empatizamos, terrívelmente com o magrelo que dança esquisito, pela garotinha desengonçada que quer a faixa de miss, com os neuróticos e compulsivos que se apaixonam pelas meninas que nunca vão ser perfeitas. Ah, os problemas, eles também tem que soar reais.

Tudo isso por causa de gente querendo ver gente na tela. Se isso não fosse um pouquinho real, Internet, os reality shows não estaria fazendo tanto sucesso, estariam?

Como, por exemplo, uma adolescente de 16 anos e deslocada que tem uma gravidez não planejada do amigo. Nenhum dos dois tem condições psicológicas ou financeiras de criar o bebê. Ela, depois de desistir do aborto, tenta procurar um casal perfeito para doar a criança.

Em curtas linhas esse filme tinha tudo para ser um drama, mas não é. Meryl Streep não interpreta a mãe. Tampouco é uma comédia escachada, tanto que Juno não recebeu uma tradução digna de filme de Sessão da Tarde como “As loucas aventuras da garota prenhe endiabrada”.

Escrito (ou roubado) pela infernal triple X (ex-stripper, ex-operadora de tele-sex ex-blogueira) Diablo Cody o roteiro é doce e sensível, mas com de pitadas de humor ácido. A talentosa Ellen Page (olhos nessa garota, os dois!) “é” Juno, a personagem principal, a garota a interpreta tão bem que nos sentimos tentados de trocar o verbo interpretar pelo ser.

A princípio, titubeie em falar sobre esse filme, pois me pareceu que tudo que haveria para ser comentado foi dito. Dando ênfase ao profusamente repetido “Juno é o novo Little Miss Sunshine!”. Traduzindo: uma produção barata para parâmetros Hollywoodianos que dosou com sucesso coerência, sentimento, ironia e apelo ao grande público. Ele apraz à audiência fã de cinema que vai até à sala na pré-disposição de assistir a um bom filme a àqueles que não estão antenados com o que vai ser exposto na tela, tendo como único intuito a diversão.

Mas, não tinha como não comentá-lo. Fui vê-lo durante o carnaval, quando fiquei em casa, presa trabalhando. Quando o filme acabou, a luzes acenderam e eu me levantei, tinha glitter em um dos meus braços. O que foi a perfeita metáfora para descrever como eu me senti.

Quando um filme desse aspecto surge, indago-me quanto aos elementos necessários para a arquitetura de uma obra que será um sucesso. Acredito que as estruturas básicas estão em um diretor que saiba discernir pastelão de diversão, que seja irônico e não extremamente ácido; e, um roteiro que tenha uma visão particular sobre, mas coerente, sobre um tema universal. Elementos estéticos de uma cultura popular expostos de uma maneira que os experts se sintam felizes pela identificação e que os leigos não se sintam deixados de fora, é o cimento que une tudo isso.

Little Miss Sunshine foi estruturado assim. Desde a dupla dinâmica roteirista/diretor que souberam discutir temas básicos familiares sob a luz do humor agridoce até a exposição de ícones pop em múltiplos graus de compreensão: um avô viciado e coreógrafo, um pai autor de livros de auto-ajuda, um adolescente que fez um voto de silêncio por causa de Nietzsche, um tio acadêmico de literatura gay e suicida, a mãe que une todos os pedaços da família disfuncional, a garotinha que ensina os mais velhos o valor da vida.

Juno teve a mesma estrutura, só que ela sofreu um update. O filme é embalado pela trilha sonora recheada de música folk, gênero que voltou a surfar as ondas do rádio, que aparece em programas de televisão, pois se apossou dos fãs de música indie nos últimos anos. A ironia marca presença especial em Juno, ela é quase mais um personagem que serve de apoio à protagonista. É através dela que a personagem principal faina suas dificuldades. Acredito que a ironia é também a essência, por fazer a ligação entre o conteúdo e o público.

Um outro feitio característico de Juno é a reativação desavergonhada dos anos 90 presente no filme. Um dos principais parceiros da garota no filme é o supostamente futuro pai adotivo de seu filho, um, também, adolescente em meados de seus trinta anos que se gaba do fato de ter participado de uma banda que excursionou com o Melvins e que se envolve em discussões e resquícios musicais invocando sua participação ativa no "áureo auge do grunge". A própria ironia é característica esmagadora dos filmes dos anos 90.

É, meus caros, a oitentização dos anos noventa é cada vez mais fatal. Vemos o estilo cada vez mais presente em filmes de meados dos anos 2000, quase uma década depois, é a época de a nostalgia reinar. O enredo de Juno é intensamente coberto pela cultura pop americana dos anos 90, época em que fomos submetidos ao ataque musical grunge e ianque. Atualmente temos diversos focos (nós mesmos temos a nossa Mallu – quase-mulher – Magalhães).

Por isso digo: tirem suas camisas de flanela do armário, pois Juno já chegou nas locadoras e quando chegar ao Sessão da Tarde, talvez como “Juno, a embuchadinha da pesada”, coisas como indie, folk, grunge, ironia, e noventismo estarão submersas na nossa cultura – tal qual os códigos do oitentismo estão incutidos hoje.

Dogville

Ficha Técnica
Título Original: Dogville
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 177 minutos

Ano de Lançamento (França): 2003
Site Oficial: www.dogville.dk

Direção: Lars Von Trier
Roteiro: Lars Von Trier

Produção: Vibeke Windelov

Fotografia: Anthony Dod Mantle
Desenho de Produção: Peter Grant

Figurino: Manon Rasmussen

Edição: Molly Marlene Stensgard
Elenco

Nicole Kidman (Grace)
Harriet Andersson (Gloria) Lauren Bacall (Ma Ginger) Jean-Marc Barr (Homem com grande chapéu) Paul Bettany (Tom Edison) Blair Brown (Sra. Henson) James Caan (Homem grande) Patricia Clarkson (Vera) Jeremy Davies (Bill Henson) Ben Gazzara (Jack McKay) Philip Baker Hall (Tom Edison Sr.) Siobhan Fallon (Martha) John Hurt (Narrador - voz) Udo Kier (Homem de casaco) Chloë Sevigny (Liz Henson) Stellan Skarsgard (Chuck) Miles Purinton (Jason)



*****************

Esse não é um texto para induzir a assistirem Dogville, é um texto para abrir um debate com quem já viu, quem entendeu, quem acha que abrangeu o sentido da coisa, quem não captou porra nenhuma além da sensação de murro no estômago.

Sentimento que, aliás, é estético. Aprendi na aula de Imagem e Estética, que andar de montanha russa é um sentimento estético, pois estética vem do grego aisthésis, que significa sentir. Aprendi, inclusive, que sentimento estético é um termo redundante. Se estiver difícil de compreender, o contrário de estética (aisthésis) é anestesia, a falta de sensações. E é isso que a arte procura, a estética.

Lars Von Trier quem homenagea caramente o teatro de Bertold Brecht, junto com Thomas Vinteberg fundou o manifesto Dogma 95 que se propõe a cumprir 10 regras para a produção de filmes, entre elas encontram-se: não usar cenários, não usar trilha sonora, usar apenas câmera de ombro etc. Seu único filme que segue essas regras é: "Os Idiotas". Eles procuram uma falta de estética do conhecimento geral (cenário, beleza, a la Moulain Rouge – também com Kidman) e um destaque de estética no sentido grego de causar sensações e sentimentos que chegam a ser físicos, daí, o murro na boca do estômago.

Dogville não tem cenário, quase não tem música. E mesmo assim, quem procura os defeitos estéticos do filme, procura em vão. As escolhas artísticas de Lars provam que ele ainda acredita na existência de uma audiência inteligente. Audiência que se sente desconcertada a primeira vista, e até a última vista, não consegue se acomodar com a história.

O filme pinta o retrato de um pequena comunidade americana que mora longe de tudo, entre rochas, em uma minúscula e pacata cidade chamada Dogville. Mas o filme, em momento algum tem um discurso regionalista. O deslize do sereno ao sádico é um tema multicultural. Compare a heroína Grace (Nicole Kidman) à Geni da música de nosso Chico Buarque: Ambas não eram aceitas na cidade, até que elas passaram a prestar favores, e foram cruelmente repudiadas no final.

Outro mote multicultural abordado pelo filme, que eu acredito ser o feixe principal, é a arrogância. Que é contada em capítulos na película de Lars.

No epílogo, somos apresentados aos moradores de Dogville. Alguns deles são: Tom, o escritor que presunçosamente sonha com os louros dos prêmios literários mas apenas escreveu em uma folha de papel branco as palavras: “grande?” e “pequeno?”; a moça da igreja, que toca o sino dando as horas e teimosamente espera por um padre que nunca virá (menção ao Messianismo), um cego que altivamente finge que enxerga, duas senhoras soberbas que trabalham em uma loja onde tudo é caro demais para a pobre Dogville; a única moça bonita da cidade, que trabalha com copos de segunda mãe transformando-os em bonitos copos que pareçam de primeira categoria “mas cuidado, eles são frágeis” (ela diz em alusão a uma metáfora de Dogville), ma moça também diz que apenas ficou feliz com a chegada de Grace para se livrar dos olhos dos homens de cima dela.

A glacial e sólida Grace da o ar da Graça em Dogville. Ela chega fugida de um gangster, o seu pai. Eles tiveram uma feia discussão a cerca de quem era o mais arrogante. O pai, pau da vida, tenta atirar na filha, que foge sem sequer olhar pra trás, ela se comprometeu a provar ao gangster a existência da bondade humana. Lars Von Trier, esfrega as mãos e diz “há há há!”.

Os capítulos declinam do amor que Grace sente a subjugada humilde Dogville e seus simplórios cidadãos, que se propõe a prestar favores para os moradores que arrogantemente relatam que "não precisam de favor algum", tentando fazer com que a cidade a ame do jeito ela a ama e não a entreguem para os gangster; a uma série de desventuras como cada cidadão vai se aproveitando e machucando-a cada vez mais, a super-exploram – mesmo quando eles não necessitavam de ajuda – estupram-na incontáveis vezes – o que antes faziam com os animais, fazem com Grace. Ela, agora, desiludida, tenta fugir mas não tem sucesso, e, para selar o caráter animalesco e canino, Dogville coloca uma coleira em Grace. Depois de tudo, Dogville, conduzida pelo namorado de Grace, decide entregar a fugitiva aos gangsteres. O papai de Grace quem ela não havia ligado em busca de socorro por pura arrogância e teimosia para não admitir que estava errada.

Ele chega e mais uma vez eles discutem sobre quem é mais arrogante, e quando ela assume a sua presunção, ela enxerga que Dogville é mais orgulhosa que ela, pois no seu lugar, ela teria feito diferente. E tudo que Grace quer em sua vida é fazer a diferença, tornar o mundo melhor. Nesse âmbito ela chega à conclusão que o mundo seria um lugar melhor se Dogville não existisse. Mata todos os moradores, queima a cidade, deixando vivo apenas o cachorro.

O pior (ou melhor) de tudo é alcançarmos a conclusão que talvez não estejamos em frente a uma obra de ficção, talvez a verdade esteja ali, pintada como nunca fora antes. Talvez mereçamos que um Deus intolerante olhe de volta aqui pra baixo e nos esmague. Talvez não haja redenção onde os cães se escondem sob peles de homens… Mas onde, onde é isso? Talvez, “em uma pacata cidade não muito longe daqui”.


Vocês não acham?

Mais Estranho que a Ficção

Direção: Marc Forster

Roteiro: Zach Helm

Elenco: Will Ferrell (Harold Crick), Maggie Gyllenhaal (Ana Pascal), Queen Latifah (Penny Escher), Emma Thompson (Kay Eiffel), Dustin Hoffman (Professor Jules Hilbert), Kristin Chenoweth (Anchorwoman), Tom Hulce (Dr. Cayly), Linda Hunt (Dra. Mittag-Leffler), Tony Hale (Dave), Denise Hughes (Carla)
[Veja os participantes de "Mais Estranho que a Ficção"]

Duração: 113 min.

Gênero: Comédia/Drama





Minha vida com mimimi

Não suporto comédias românticas. Não é que eu não seja romântica, é que as “heroínas” da maioria desses filmes são chatas pra caralho. E se eu for totalmente sincera, o motivo real, único e verdadeiro, é que eu – GraçasaDeusPaiLouvadoIdolatradoAmém - não me identifico com elas.

Existe uma lista de poucas coisas que eu deixaria de fazer para ver um filme que estrele a Diane Keaton, Julia Roberts, Jennifer Lopes, Reese Whiterspoon, Mandy Moore, Jennifer Love Hewitt e Drew Barrymore (quem só está perdoada por E.T, Confissões de uma mente assassina e Garotos de Minha Vida). Na lista constam coisas como ser esmurrada no coração, comer sopa de vidro, pisar em vômito de cachorro em quanto eu estiver calçando meias. Essas coisas, bem, vocês têm idéia. Me chamem para assistir Serpentes a Bordo um milhão de vezes, mas não me chamem para assistir Um Amor para Recordar. Acho muito mais real o Samuel L. Jackson (REI!) matar cobras ouriçadas por ferormônio em um avião, que um bonitão casar com uma mina insossa porque ela está morrendo de câncer. Que um ricão casar com uma prostituta da Rodeo Drive. Que uma jornalista adulta voltar ao colégio e passar por adolescente e ela nunca foi beijada. Que a vozinha chata da Reese com o sotaque texano. E ver qualquer outra coisa dolorosa que estrele as Jennifers (Love Hewitt, Lopes, e agora, estendo meu convite à Aniston).

MAS, se eu sentir a mínima identificação com a politicamente incorreta mocinha... danou-se.

É isso que acontece com a Anna Pascal (Maggie Gyllenhaal), que tem uma tatuagem enorme no bracinho fininho, dona de uma padaria, pois acha que essa é a parte dela em tornar o mundo um lugar melhor, está tendo uma auditoria porque sonegou imposto de renda – não o imposto completo, só a parte designada às propagandas políticas, na qual ela explica em uma carta, junto com a sua declaração, carta que começa com “Querido Governo Chauvinista Capitalista”. Tá, não tenho uma tatuagem enorme no braço, pior ser dona de uma padaria, mas sou bem consciente quanto o que o dinheiro diz que faz com os meus impostos.

Mas, essa não é a estória de Anna Pascal, como fala a primeira frase do filme: “Essa é a história de um homem chamado Harold Crick e seu relógio de pulso”.

O filme é mais um da linha que os personagens principais sabem que vão morrer e o enredo gira em torno disso. O filme é uma inteligente dramédia, um perspicaz romansia.

Harold Crick (Will Ferrell no papel que o lança ao patamar de Jim Carrey, Robin Willians e outros atores que sabem maestrar BEM a comédia e a tragédia) é um homem solitário, que tem como parte mais humana do seu corpo, o seu relógio de pulso. Enquanto Harold Crick conta os passos até a parada de ônibus, o relógio adora quando ele corre, pois sente o vento bater em sua fronte de vidro. E é o relógio que fica de saco cheio da automatização de Harold e resolve agitar as coisas, parando e descontrolando a sua minuciosamente planejada rotina.

A vida de Harold é narrada por uma voz feminina, e isso não é feito deliberadamente, logo, entende-se que a vida ordinária dele é um livro, a autora narra, e sua vida vai ficar mais interessante quando – pasmem – ela narra que o simples ato do relógio parar vai levar à morte eminente do personagem principal.

Então, Harold enlouquece e vai procurar ajuda, primeiro com uma psiquiatra, pois ele ouve a narradora em sua cabeça, e ela o manda para um expert (o SEMPRE brilhante Dustin Hoffman) em literatura, para decifrar mais sobre o enredo. Um dos melhores diálogos do filme, é quando os dois sentam e tentam debater se a vida dele é um drama ou uma comédia, e puxa, quem já não pensou nisso.

Convencido que vai morrer e certo de que isso é o melhor para todo mundo, Harold, vai viver a vida que ele sempre quis, e não, não são coisas absurdas, ele vai comprar uma guitarra para aprender a tocar, pois ele nunca teve tempo, e se declara à Anna Pascal.

O filme é dirigido por Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca) traz referencias e homenagens claras à Kauffman (Brilho Eterno de uma mente sem lembraças). Sério, quem em sã consciência não faria uma homenagem à Kauffman? Eu daria o meu primeiro filho a ele.

Aqui, uma cena do filme que carrega um dos maiores mistérios já expostos na humanindade. "Por que as minas legais de vez em quando curtem um nerd?"


Minha Vida Sem Mim

My Life Without Me, Canadá/Espanha, 2003.
Direção e Roteiro: Isabel Coixet, baseada no conto Pretending the Bed is a Raft, de Nancy Kincaid.
Elenco: Sarah Polley, Amanda Plummer, Scott Speedman, Leonor Watling, Deborah Harry, Maria de Medeiros, Mark Ruffalo, Julian Richings, Jessica Amlee, Kenya Jo Kennedy, Alfred Molina.
Fotografia: Jean-Claude Larrieu. Montagem: Lisa Robison.
Direção de Arte: Carol Lavallee.
Música: Alfonso Vilallonga.
Canção: "Senza Fine", de Gino Paoli.
Figurinos: Katia Stano.
Produção: Esther García e Gordon McLennan. Site Oficial



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Ainda na linha de filmes que os personagens principais estão na eminência da morte, se o primeiro foi sobre o quarentão que já havia passado os melhores dias e queria aqueles bons e velhos tempos de volta, o segundo é sobre uma jovem garota que nem teve o tempo de aproveitar a vida plenamente e já tem de se despedir.

A maioria dos filmes sobre doenças terminais nos apresenta duas horas de incontáveis clichês – confrontos melodramáticos com amigos e familiares, a ceninha que a pessoa quase morre, mas tem um despertar, e todo mundo chora de alegria, a mudança repentina de atitude quando o portador da doença tem a ciência que vai morrer e não há nada que ele possa fazer a não ser escalar o Everest, viajar o mundo e encarnar o Calígula, a cena da morte, ou, o pior de tudo, a cena da cura milagrosa do último instante.

No filme escrito e dirigido por Isabel Coixet's, My Life Without Me (Minha Vida Sem Mim – não é excelente quando não temos uma tradução de título esdrúxula?), Ann (Sarah Polley) é uma bela jovem de 23 anos, casada com o primeiro namorado(o garoto que tirou as camisa para ela enxugar as lágrimas no show do Nirvana), mãe precoce de duas garotas adoráveis, trabalha como faxineira em um colégio, mora com o seu amado (e constantemente desempregado) marido e as duas filhas em um Trailer no quintal da mãe, nunca viajou, não terminou os estudos e agora descobre que tem um câncer inoperável no ovário. O pior de tudo é que não seria problema se ela fosse mais velha, mas devida a sua tenra idade, o seu metabolismo acelera a doença e sua expectativa de vida é de três meses.

Minha Vida Sem Mim consegue sair da trilha desses filmes clichês sobre a morte. O filme é triste, não tenha dúvidas, afinal, que filme sobre alguém que está morrendo é feliz? Mas, ele evita o sentimento depressivo que estes filmes nos propõe. Também está longe de ser uma afirmação simplista sobre os valores da vida. Acho que é porque a personagem principal, simplesmente se recusa a ser uma vítima.

Ann não teve uma maravilha de vida, e aos 23 anos descobre que vai morrer. Ao invés de sair por aí porralouqueanco, enfurecida, se derramando em lágrimas (o que eu definitivamente faria), pois acredito que a maioria das pessoas prefere a vida que a morte, mesmo que seja uma vida de merda, ela faz uma lista pequena e singela sobre as 10 coisas que ela tem que fazer antes de morrer, como por exemplo: gravar cassetes de aniversários para as filhas até que elas façam 18 anos, achar alguém apropriado para que o marido e as filhas fiquem bem quando ela partir, visitar o pai na prisão.
Esse é o perfil de uma jovem que, apesar da crise que passa, se recusa a sentar e ser alvo de pena e que tem como objetivo maior do que a sua felicidade no pouco tempo que tem, ela quer que a sua família esteja bem pelo tempo que lhes resta além dela, e por isso ela começa a planejar a vida sem ela.

Mas, ela também tem uma lista que tende ao lado egoísta. Ela quer saber como é dormir com outro homem (pois o seu marido foi primeiro e único), fazer com que alguém se apaixone por ela, mudar o cabelo, fazer as unhas com uma manicure profissional e falar o que pensa (tirando a parte que ela mantém da família e dos amigos a parte que ela vai morrer e que está tendo um caso). Antes de julgá-la, lembre-se que estamos falando de uma garota que nunca viajou, não terminou os estudos, e não teve nenhum feito importante.


Este foi o primeiro filme que vi com Mark Ruffalo (ele interpreta o amante de Ann) que está adorável em seu papel. O filme é produzido por Almodóvar e, nós, definitivamente, sentimos nuances de “Fala com Ela” ali, seja na brandura, beleza e naturalidade dos pensamentos de Ann para com ela, e ela somente:

"...Este é você, na chuva.
Nunca pensou que fosse fazer algo assim.
Você nunca se viu como - não sei como descreveria - como uma dessas pessoas que gostam de olhar a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber que tipo de pessoas estou falando. Talvez não saiba.
Seja como for, você gosta de ficar assim: lutando contra o frio, sentindo a água penetrar na sua camisa e a sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés e do cheiro. Do som dá água batendo nas folhas e todas as coisas que estão nos livros que você não leu.
Esse é você.
Quem teria imaginado?
Você."

Ou na aparição de algum personagem excêntrico como a cabeleira que é a única fã do Milli Vanilli que resta no mundo inteiro, o médico que não consegue mais olhar no rosto das pessoas por ter que contar más notícias, e da garçonete cujo sonho e ganhar na Lotto para fazer cirurgias plásticas e se transformar na Cher.

Gosto desse filme pela diferença, pela apatia real que ele mostra. Ele não é um clichê.Nem todo mundo que descobre que tem câncer terminal tem dinheiro para viajar o mundo, nem todo mundo quer ser uma vítima, nem todo mundo quer fazer uma reviravolta e nem todo mundo que vive uma vida sem grandes feitos deve se sentir mal por isso. Nem todo mundo acha que o mundo inteiro deve parar no dia que pára de existir.