Direção: Marc ForsterRoteiro: Zach Helm
Elenco: Will Ferrell (Harold Crick), Maggie Gyllenhaal (Ana Pascal), Queen Latifah (Penny Escher), Emma Thompson (Kay Eiffel), Dustin Hoffman (Professor Jules Hilbert), Kristin Chenoweth (Anchorwoman), Tom Hulce (Dr. Cayly), Linda Hunt (Dra. Mittag-Leffler), Tony Hale (Dave), Denise Hughes (Carla)
[Veja os participantes de "Mais Estranho que a Ficção"]
Duração: 113 min.
Gênero: Comédia/Drama
Minha vida com mimimi
Não suporto comédias românticas. Não é que eu não seja romântica, é que as “heroínas” da maioria desses filmes são chatas pra caralho. E se eu for totalmente sincera, o motivo real, único e verdadeiro, é que eu – GraçasaDeusPaiLouvadoIdolatradoAmém - não me identifico com elas.
Existe uma lista de poucas coisas que eu deixaria de fazer para ver um filme que estrele a Diane Keaton, Julia Roberts, Jennifer Lopes, Reese Whiterspoon, Mandy Moore, Jennifer Love Hewitt e Drew Barrymore (quem só está perdoada por E.T, Confissões de uma mente assassina e Garotos de Minha Vida). Na lista constam coisas como ser esmurrada no coração, comer sopa de vidro, pisar em vômito de cachorro em quanto eu estiver calçando meias. Essas coisas, bem, vocês têm idéia. Me chamem para assistir Serpentes a Bordo um milhão de vezes, mas não me chamem para assistir Um Amor para Recordar. Acho muito mais real o Samuel L. Jackson (REI!) matar cobras ouriçadas por ferormônio em um avião, que um bonitão casar com uma mina insossa porque ela está morrendo de câncer. Que um ricão casar com uma prostituta da Rodeo Drive. Que uma jornalista adulta voltar ao colégio e passar por adolescente e ela nunca foi beijada. Que a vozinha chata da Reese com o sotaque texano. E ver qualquer outra coisa dolorosa que estrele as Jennifers (Love Hewitt, Lopes, e agora, estendo meu convite à Aniston).
MAS, se eu sentir a mínima identificação com a politicamente incorreta mocinha... danou-se.
É isso que acontece com a Anna Pascal (Maggie Gyllenhaal), que tem uma tatuagem enorme no bracinho fininho, dona de uma padaria, pois acha que essa é a parte dela em tornar o mundo um lugar melhor, está tendo uma auditoria porque sonegou imposto de renda – não o imposto completo, só a parte designada às propagandas políticas, na qual ela explica em uma carta, junto com a sua declaração, carta que começa com “Querido Governo Chauvinista Capitalista”. Tá, não tenho uma tatuagem enorme no braço, pior ser dona de uma padaria, mas sou bem consciente quanto o que o dinheiro diz que faz com os meus impostos.
Mas, essa não é a estória de Anna Pascal, como fala a primeira frase do filme: “Essa é a história de um homem chamado Harold Crick e seu relógio de pulso”.
O filme é mais um da linha que os personagens principais sabem que vão morrer e o enredo gira em torno disso. O filme é uma inteligente dramédia, um perspicaz romansia.
Harold Crick (Will Ferrell no papel que o lança ao patamar de Jim Carrey, Robin Willians e outros atores que sabem maestrar BEM a comédia e a tragédia) é um homem solitário, que tem como parte mais humana do seu corpo, o seu relógio de pulso. Enquanto Harold Crick conta os passos até a parada de ônibus, o relógio adora quando ele corre, pois sente o vento bater em sua fronte de vidro. E é o relógio que fica de saco cheio da automatização de Harold e resolve agitar as coisas, parando e descontrolando a sua minuciosamente planejada rotina.
A vida de Harold é narrada por uma voz feminina, e isso não é feito deliberadamente, logo, entende-se que a vida ordinária dele é um livro, a autora narra, e sua vida vai ficar mais interessante quando – pasmem – ela narra que o simples ato do relógio parar vai levar à morte eminente do personagem principal.
Então, Harold enlouquece e vai procurar ajuda, primeiro com uma psiquiatra, pois ele ouve a narradora em sua cabeça, e ela o manda para um expert (o SEMPRE brilhante Dustin Hoffman) em literatura, para decifrar mais sobre o enredo. Um dos melhores diálogos do filme, é quando os dois sentam e tentam debater se a vida dele é um drama ou uma comédia, e puxa, quem já não pensou nisso.
Convencido que vai morrer e certo de que isso é o melhor para todo mundo, Harold, vai viver a vida que ele sempre quis, e não, não são coisas absurdas, ele vai comprar uma guitarra para aprender a tocar, pois ele nunca teve tempo, e se declara à Anna Pascal.
O filme é dirigido por Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca) traz referencias e homenagens claras à Kauffman (Brilho Eterno de uma mente sem lembraças). Sério, quem em sã consciência não faria uma homenagem à Kauffman? Eu daria o meu primeiro filho a ele.
Aqui, uma cena do filme que carrega um dos maiores mistérios já expostos na humanindade. "Por que as minas legais de vez em quando curtem um nerd?"







