Beleza Americana

Título Original: American Beauty
Gênero: Comédia / Drama
Tempo de Duração: 121 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1999
Site Oficial: www.americanbeauty-thefilm.com
Estúdio: DreamWorks SKG
Distribuição: DreamWorks Distribution / UIP
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Alan Ball
Produção: Bruce Cohen, Dan Jinks, Alan Ball e Stan Wlodkowski
Música: Thomas Newman e Pete Townshend
Direção de Fotografia: Conrad L. Hall
Desenho de Produção: Naomi Shohan
Figurino: Julie Weiss
Edição: Tariq Anwar e Christopher Greenbury


Elenco
Kevin Spacey (Lester Burham)
Annette Bening (Carolyn Burham)
Thora Birch (Jane Burham)
Wes Bentley (Ricky Fitts)
Mena Suvari (Angela Hayes)
Peter Gallagher (Buddy Kane)
Chris Cooper (Coronel Fitts)
Allison Janney (Barbara Fitts)


*****

Eu adoro Beleza Americana. Esse filme é uma comédia, certo? Eu, pelo menos, acho que é, apesar de me lembrar ser uma das poucas pessoas a rirem no cinema pelo absurdismo dos problemas do nosso anti-herói. O filme também é um drama, pela parte que ele – intrigantemente - nos sensibiliza. Em alguma maneira curiosa, aquele personagem confuso, imaturo, inseguro e quase pedófilo é envolvente.

O filme trata da história de um homem que está com medo de envelhecer, na verdade, DESAPARECER, seria a palavra mais apropriada. Essa é a parte que (alguns de nós) rejeitamos, mas, andando de mãos dadas com esse primeiro medo está o receio que ele tem em não conseguir enxergar a beleza nas pequenas coisas, à esperança no amor verdadeiro e que as pessoas mais próximas, percam totalmente respeito e admiração. Aí, não há como não empatizar com ele. Se você não consegue porque nunca experimentou esses sentimentos, me ligue, pois eu tenho muito que aprender com você.

Lester Burnham, o nosso anti-herói do filme, é interpretado por Kevin Spacey como o homem que é mal amado pela filha adolescente, ignorado pela mulher que vive acordada o American Dream, e dispensável ao trabalho que passou grande parte de sua vida exercendo.

Como ele fala logo nas primeiras frases do filme (o anti-herói é, também, narrador, ele narra o seu passado, não estando ciente pois ele narra suas memórias), “Meu nome é Lester Burnham. Em um ano, eu morrerei. De certa forma, eu já estou morto”. Se você vê a comicidade que existe no personagem principal do filme falar nos primeiros minutos que ele vai morrer, me ligue, pois temos muito que conversar.

Em seguida, conhecemos a mulher dele, Carolyn, que tem mania de perfeição e projeção da “imagem de felicidade” (what the fuck???). Na primeira cena dela, ela está a cuidar do seu jardim de rosas chamadas “Beleza Americana” combinando, nada acidentalmente, as cores do alicate e dos sapatos de jardinagem. As rosas estarão presentes no filme inteiro. Depois, somos apresentados a Jane, a filha adolescente ácida que está juntando dinheiro para fazer uma cirurgia de implantes nos seios, quando ela CLARAMENTE não precisa disso. As duas, mulher e filha, se envergonham de Lester.

Tudo muda para o personagem principal, na noite que ele é quase obrigado a assistir a uma apresentação da filha no colégio. Ele vê e se apaixona por Angela, a melhor amiga dela. E o que se segue pode parecer, para alguns, como uma história da estirpe de Lolita, mas, na verdade, é sobre o redespertar da paixão para a vida. A menina foi só a faísca que ateou o fogo.

Angela não é a sua estrada para felicidade. É o catalisador da liberdade. Ela o liberta de anos de paralisia emocional. Ela o tira do ponto em que ele havia se petrificado e parado de sonhar, e o coloca em uma situação na qual ele deseja ganhar respeito, poder e beleza.

Paralelamente, Carolyn e Jane passam por seus próprios problemas amorosos. A mulher começa a ter um caso com a pessoa que é a sua versão masculina. Enquanto Jane descobre a sua ternura e delicadeza graças ao excêntrico, belo e novo vizinho da frente.

Ricky, o vizinho da frente, é, exatamente, o antagônico de Carolyn. Ele, para se proteger do pai , o Coronel Fitts, um militar rígido que o controla através de exames de drogas pela urina, projeta uma imagem de apatia, quando tudo o que ele vê é beleza e emoção.

Nenhum dos personagens é inteiramente mau ou bom, e essa é parte da beleza do filme. Eles são moldados pela sociedade de tal maneira que eles não podem ser eles mesmos. Lester, o inútil que vai mexer com a vida de todos eles. Carolyn, a perfeccionista insegura. Jane, a adolescente que esconde a sua doçura por de trás da acidez. Ricky, o anestesiado altamente sensível. Pai do Ricky, o coronel gay. Angela, que é conhecida por todos na escola como puta, por preferir mentir a falar que é virgem. Por isso o filme é intitulado depois de uma linda rosa sem odor e sem espinhos, metáfora do vazio do americano comum que tenta mostrar mais do que parece ser. E nada é o que parece ser.

As performances dos atores dançam com harmonia perante as linhas da paródia e realismo. É lindo ver a evolução de Kevin Spacey no desenvolver do filme, como aquele que começou sem noção do que estava acontecendo ao redor dele, para aquele com o brilho nos olhos e riso no canto da boca por ser o único ciente de tudo. Aquele que faz as coisas mais incoerentes e irresponsáveis mas, pára de interpretar o papel que a sociedade exige que se submeta. E ele pode ter perdido tudo no final do filme, mas ele ganhou-se de volta.

Beleza Americana é o hino da rebelião de Lester Burnham. DE TODO Lester Burnham. Daquele que existe em mim e em você, que está ali coagido, entediado, menosprezado, querendo desencaixotar os LP’s do Led Zeppelin, trabalhar em um emprego que - apesar de parecer inóspito - te apraz, possuir as coisas que ama. Que quer passar o resto da vida que lhe resta vivo.

12 comentários:

Garota no hall disse...

Eu gostei bastante dessa filme quando assisti no cinema. Depois, não o vi com o mesmo entusiasmo e ele acabou perdendo o lirismo aos meus olhos com o passar do tempo.

Silvinha disse...

Adorei sua resenha. Ja ouvi pessoas falando dele como um filme sobre um cara de meia-idade, mas, se é, não é para telespectadores de meia-idade (como Lost in Translation, aff).

E a fotografia é bem legal.

Beijo!

Edna Federico disse...

A primeira vez que assisti, achei bobo...na segunda vez, gostei...nada assiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, mas, bom.
Beijo

Chantinon disse...

Sun,
Tu já assistiu Six Feet Under???
Meu Deus.. é o melhor seriado do universo.
A trilha é fenomenal, as reviravoltas, tudo.

E que fique claro, eu vi, gostei (Já falei as centenas lá no blog), mas não sou gay, eu não sou gay :)

bjs

Natália Nunes disse...

Eu assisti Beleza Americana logo quando foi lançado, isso tem quase 10 anos, eu não tinha maturidade pra entender o filme, por isso, não gostei na época. Tenho muita vontade de ver de novo, mas a locadora do meu bairro NÃO TEM ¬¬ , o que é um crime. Gostei bastante dessa sua crítica ao filme, amiga :D

;***

Patty disse...

Menina, eu assisti e gostei, mas lendo o seu texto percebi que preciso assistir novamente com outros olhos.

Um beijo e ótimo final de semana.

Homero, O Tosco disse...

Esse filme é sensível, sem ser sentimental, é ironico sem ser debochado, é uma obra prima como poucas produzidas por hollywood.
Me agrada nesse filme o lance das cores, o filme se predomina por uma fotgrafia com um tom acinzentado, mas diversas vezes temos uma cor forte (quase sempre o vermelho), causando um tesão, a mim pareceu uma espécie de metáfora estética, para o personagem do Kevin Spacey. A coisa de destoa da mesmice, que incomada, que está vibrando enquanto tudo mais está apagado.
A minha cena preferida é quando o vizinho mostra para a filha dele um vídeo de um saco plástico voando. Eu não lembro muito bem do dialogo, mas ele fala sobre a beleza dos movimentos do saco, como uma dança. Isso me chamou muito a atenção. A beleza está realmente nos olhos de quem ve, e é algo inerente ao ser humano, o saco sacodia ao sabor do vento totalmente alheio a estética, é no observador que se encontra o sentimento, a beleza nesse caso é projeção de quem olha sobre o objeto. Se você olhar da maneira correta pode ver beleza em quase tudo.
Na época eu (estudante de arquitetura) me identificava muito com o filho do corenel justamente por causa dessa cena. Hoje me identifico muito mais com o Lester.
Detesto esse papo cabeça! Mas às vezes não resisto.
(Tenho certeza de que numa mesa de bar com uma dose de alcool na frente o que estou dizendo seria mais interessante e mais claro).

Você já viu Dogville do Lars Von Trier? Se você já fez um post sobre esse filme me manda o link.

Abraços.

Mwho disse...

Beleza Americana é o meu filme preferido. Assisti a ele umas 4 vezes e, depois, resolvi comprar o DVD para guardar. Guardei no plástico por uns anos. Acho que está na hora de vê-lo novamente!

vinilliterario disse...

Afudê esse filme.

fabiana disse...

Kevin Spacey PEGA EU!!!

Anônimo disse...

Olá, gostei muito da sua resenha.
Este é, sem dúvida, o melhor filme que já vi. Mudou minha vida. Acho que a trajetória de Lester tem muito a nos ensinar. Enfim, fico extasiado sempre que me lembro. Qualquer dia desses vou revê-lo.
Uma correção, no entando; no quinto parágrafo você menciona que Jane junta dinheiro pra cirurgia de implante no seio. Na verdade é o contrário. Ele angaria recursos para fazer a redução da mama.

Abraços
Márcio

mushrp disse...

Muito interessante sua resenha! Eu assisti ao Beleza Americana e ao Clube da Luta em uma disciplina em minha universidade, e tivemos que fazer uma resenha sobre os mesmos articulando com o que foi discutido em sala.

Só para colocar lenha na fogueira, e incitar a discussão, eu diria que apesar de Lester reencontrar a paixão e a emoção em sua vida, a sua mudança de postura para 'coroa radical', malhado, fumando maconha e com um carro esporte não deixa de ser uma outra máscara. A atitude de muitos homens de idade avançada a se vestirem de forma jovem, e participarem desse mundo é também uma forma de fuga e construção de uma imagem, e não essência.

Creio que o unico momento em que Lester se encontra livre das amarras dessa 'maquiagem pesada' é quando ele na cozinha se dá conta da fantasia que vivia com a Angela e como ele amava - a essencia, da filha e da esposa. (In)Felizmente no filme isso não durou mais de 2 minutos, e culminou no seu assassinato. Fica aí uma provocação para nos questionarmos.

Abraços!