Exterminador do Futuro II - O Julgamento Final
Direção: James Cameron

Roteiro: James Cameron, William Wisher Jr.
Elenco: Arnold Schwarzenegger (Exterminador T-800), Linda Hamilton (Sarah Connor), Edward Furlong (John Connor), Robert Patrick (T-1000), Earl Boen (Dr. Peter Silberman), Joe Morton (Dr. Miles Bennett Dyson)
Duração: 137 min.
Gênero: Ação/Ficção Científica
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Alguns filmes, para mim, são mais que objetos, são amigos, são família. E como toda boa família, alguns deles me deixaram traumas psicológicos para o resto da vida, ou pelo menos, até que o Alzheimer chegue.
Um deles é a convicção que não são alienígenas, nem a vingança da mãe natureza se transformando em madrasta por causa da destruição do meio ambiente, tampouco guerras e o homem sendo o lobo do homem que vai extinguir a raça humana, mas sim a MÁQUINA.
Desde 1991, a partir da primeira vez que assisti Exterminador do Futuro II – o Dia do Julgamento, cada avanço tecnológico quebra um pedacinho do meu coração. Toda vez que inventam um protótipo de robô, eu me tremo de medo pensando “puta que pariu,está prestes a ocorrer! Eles vão mandar sinais para os eletrodomésticos e logo, TODOS ESTAREMOS EM EMINÊNCIA DE EXTINÇÃO!”
Quase dez anos depois, estou mais madura, menos influenciável e mais paranóica, Matrix é lançado e fode tudo de novo. Pois agora, não só a máquina vai extinguir a gente, como “Elas vão se alimentar de nós. VÃO SE ALIMENTAR DE NÓS” e isso pode estar acontecendo nesse exato momento.
Diria que as similaridades dentre os filmes além dos dois se tratarem de trilogias sobre o apocalipse futurístico causado do embate homem versus máquina, está na atuação robótica convincente dos dois personagens principais (sendo apenas o Schwarzenegger um cyborg de verdade, o Reeves é só ruim mesmo), a aparência máscula das personagens femininas (Carrie-Anne Moss e Linda Hamilton), as cenas de perseguição de carro, os trajes de couro e óculos escuros, como o cabelo do cara mau que persegue o mocinho tá sempre muito bem na fita, e que, a última parte de ambas as trilogias é tão trevas que eu não me dispus a assistir.
A trilogia de o Exterminador do Futuro começa em 1984, quando o diretor (até então desconhecido por Piranhas 2 e desde então Alien, O Segredo do Abismo, Titanic, Dark Angel) James Cameron resolveu escrever e dirigir um filme sobre um cyborg T-800 (Schwarzenegger) enviado ao passado para matar Sarah Connor (Linda Hamilton) a mãe do homem que seria o líder da resistência humana. Um homem também é enviado para protegê-la, eles se envolvem romanticamente, e não só ele se sacrifica por ela, como ele é o pai do prospectivo líder da resistência. O primeiro filme foi inovador por tratar o tema apocalíptico homem-máquina e duscursar sobre viagem no tempo com um toque noir High-Tech.
E a seqüência? Bem, a seqüência veio para calar a boca de todo indivíduo que professar que “uma continuação nunca é tão boa quanto o filme original”. O fato é que poucas vezes uma continuação foi tão digna do sucesso do primeiro filme como fez O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final.
Dez anos após os acontecimentos do primeiro filme, um novo cyborg é enviado ao passado pelo supercomputador Skynet que luta contra a humanidade em 2029 (tá perto, moçada!). A máquina que volta no tempo tem a mesma função, liquidar a existência do líder da resistência humana no futuro, John Connor. Mas, se essa foi uma tarefa difícil na pré-concepção dele, imagina agora que ele é um pré-adolescente?
Pensando nisso, Skynet manda um modelo updated, mais avançado de ferro líquido para poder ser mais escrotão e adquirir a forma de tudo o que toca, o T-1000 (Robert Patrick). Em uma tentativa de garantir a sua existência no presente de 2029, o próprio John Connor envia ao passado o cyborg T-800, que uma vez quis matá-lo (Arnold Schwarzenegger com o personagem de sua vida) para protegê-lo enquanto era apenas um garoto.
John Connor (Edward Furlong, aliás, cadê o moço?) pré-líder da resistência, trata-se de um garoto que tem apenas 12 anos mas, já tem uma lista de gente grande de crimes como agressão, invasão e roubo na sua ficha polícial. Ele é criado por pais adotivos, pois sua mãe Sarah, está internada no sanatório devido às suas alucinações com robôs viajantes de tempo, se marombando desde o último incidente. Por isso ela vai dar um monte de trabalho para o T-800 versão sangue.bom .
E é esse garotinho malvado, que nem sequer imagina que um dia vai passar de bandido a herói, cheio das manhas da rua, que vai se afeiçoar ao cyborg T-800, fazendo com que cresça entre eles não só laços de afeição (porque T-800’s também têm coração), como ele vai enteirar o cyborg na arte da malandragem, ensinando um dos maiores jargões cinematográficos de todos os tempos.
Apesar de repetir (às vezes, repetir é amarrar) parte da história de “O Exterminador do Futuro”, a seqüência acrescenta novos elementos à história, apresenta mais detalhes sobre a guerra contra as máquinas e inverte o papel de Schwarzenegger, colocando o gigante austríaco do lado do bem. Outra mudança é que, com mais fama e mais dinheiro, James Cameron abandonou as cenas escuras e locações claustrofóbicas do filme de 84, para usar e abusar de cenas claras, espaços abertos e efeitos especiais sofisticados. Os efeitos foram criados pela empresa de George Lucas, a ILM (Industrial Light & Magic) e renderam o Oscar de Efeitos Visuais ao filme, que também levou Melhor Som, Melhor Efeitos Sonoros e Melhor Maquiagem. Em meio a tanta tecnologia, é interessante notar que a cena onde o T-1000 se transforma em Sarah Connor, para enganar John, e encontra a verdadeira Sarah, foi gravada utilizando a irmã gêmea de Linda Hamilton, Leslie Hamilton. Além disso, a cena onde o exterminador se transforma em um guarda do sanatório também foi filmada com dois irmãos gêmeos.
Além da presença marcante de Arnold Schwarzenegger que repete a excelente e eterna performance robótica do primeiro longa, e do convincente Robert Patrick como robô de ferro líquido, devemos destacar Linda Hamilton. A atriz, que se preparou para o filme fazendo exercícios de musculação diários e treinamento com armas de fogo, rouba a cena e mostra que a importância de Sarah não se limitava a ter um filho. Edward Furlong, sofreu o efeito Amy Winehouse e acabou não sendo chamado para continuar seu personagem em “O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas”. Tanto o garoto quanto o terceiro filme, caíram no esquecimento da audiência.
Uma curiosidade é que o nome no caminhão que transporta nitrogênio líquido indica a empresa fictícia “Benthic Petroleum”, que também aparece em “O Segredo do Abismo”, do mesmo James Cameron. Outra curiosidade é que a música “You Could be Mine”, do Guns n' Roses, foi composta especialmente para o filme por Izzy Stradlin e Axl Rose. A banda é homenageada em uma cena onde Schwarzenegger (fã confesso) retira uma escopeta de uma caixa de rosas.
“O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final” arrecadou US$ 490 milhões em todo mundo e foi capaz de recuperar seus custos de produção em apenas 12 dias de exibição, se tornando uma das maiores bilheterias da história. Afinal, trata-se de um thriller emocionante, divertido, com uma história digna de seu predecessor, que merece ser visto e re-visto.
E como nem eu (nem ninguém) poderia esquecer:
Hasta la vista, Baby.